
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: a origem do ícone e da devoção
Um ícone bizantino de origem grega, roubado, perdido, redescoberto e finalmente entregue a uma congregação religiosa com a missão de "torná-lo conhecido no mundo inteiro".
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Encontrar romariasPoucos ícones marianos têm uma trajetória tão movimentada quanto o de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro — uma imagem que atravessou séculos, roubos e reaparecimentos antes de se tornar uma das devoções marianas mais espalhadas do mundo.
As origens gregas do ícone
Evidências arqueológicas colocam a origem do ícone provavelmente em algum momento por volta dos anos 1200, na ilha de Creta, na Grécia. Trata-se de um ícone bizantino que representa a chamada "Virgem da Paixão": Maria segurando o Menino Jesus, com o Menino olhando para o Arcanjo Gabriel, que aparece no canto superior direito segurando a cruz e os pregos da crucificação, enquanto o Arcanjo Miguel, no canto superior esquerdo, segura a lança, a coroa de espinhos e a esponja usadas na Paixão — antecipando visualmente, no colo da própria mãe, o destino de sofrimento do filho.
Da Grécia a Roma
O ícone chegou a Roma pelas mãos de um comerciante, no final do século XV, e permaneceu guardado por gerações dentro de uma mesma família, até ser entregue à igreja de São Mateus Apóstolo, em Roma. Ao longo dos séculos seguintes, o quadro passou por períodos de esquecimento, chegando a ser considerado perdido em certos momentos da sua história.
A entrega aos Redentoristas
O ponto de virada na história do ícone aconteceu em 26 de abril de 1866, quando foi entronizado na igreja de Santo Afonso, em Roma. Na ocasião, o Papa Pio IX entregou o quadro à veneração dos Missionários Redentoristas — congregação fundada por Santo Afonso de Ligório — com um pedido direto: "Façam-na conhecida no mundo inteiro." A partir dali, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tornou-se oficialmente a padroeira da Congregação Redentorista, responsável por levar essa devoção a diferentes continentes, incluindo o Brasil.
Por que o título "Perpétuo Socorro"
O título reforça uma ideia central da devoção mariana: Maria como auxílio constante, disponível a qualquer momento, e não apenas em ocasiões excepcionais. A composição visual do ícone — o Menino Jesus já contemplando os instrumentos da própria Paixão enquanto está no colo da mãe — reforça essa mensagem: mesmo diante do sofrimento já anunciado, existe um socorro que não cessa.
A devoção hoje
No Brasil, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está presente em paróquias, santuários e comunidades ligadas à obra redentorista, além de ser amplamente conhecida fora desses círculos, com festas próprias e novenas populares em muitas dioceses do país. É comum que romarias dedicadas a essa invocação sigam justamente o mandato que o Papa Pio IX deu aos Redentoristas há mais de 150 anos: espalhar essa devoção "no mundo inteiro" — inclusive por meio de quem viaja de ônibus, em grupo, até uma igreja que carrega o nome dela.
Fontes
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