
Simão Bororo: o indígena que morreu para proteger o missionário
Simão Cristino Koge Kudugodu, liderança do povo Bororo, morreu em 1976 ao proteger o padre Rodolfo Lunkenbein e perdoou seus agressores antes de morrer.
Um construtor entre os Bororo
Simão Cristino Koge Kudugodu, conhecido como Simão Bororo, nasceu em Meruri, no Mato Grosso, em 28 de outubro de 1937. Membro do povo indígena Bororo, trabalhou como pedreiro e teve papel ativo na construção das primeiras casas de alvenaria erguidas para sua comunidade.
A defesa da terra Bororo
Junto ao padre salesiano Rodolfo Lunkenbein, Simão lutou pela demarcação da reserva indígena de Meruri, território tradicional do povo Bororo então ameaçado pelo avanço de fazendas na região.
Uma morte marcada pelo perdão
Em 15 de julho de 1976, durante um confronto armado envolvendo cerca de setenta fazendeiros, Simão Bororo foi morto ao tentar proteger o padre Lunkenbein dos agressores. Antes de morrer, segundo relatos preservados pela comunidade salesiana e indígena, Simão perdoou seus algozes.
No mesmo ano de sua morte, a demarcação da reserva de Meruri, pela qual ele e Lunkenbein haviam lutado, foi finalmente assegurada.
Reconhecimento conjunto pela Igreja
A Igreja Católica passou a tratar os casos de Simão Bororo e do padre Rodolfo Lunkenbein como uma causa conjunta de martírio. Em 28 de novembro de 2024, a "Positio super martyrio" de ambos foi entregue ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano.
Um dado curioso
Simão Bororo é um dos raros casos, no Brasil, de uma liderança indígena leiga reconhecida pela Igreja como Servo de Deus ao lado de um missionário estrangeiro.
Fontes: https://www.santiebeati.it/dettaglio/97040 ; https://www.infoans.org/pt/secoes/noticias/item/22854-vaticano-entrega-da-positio-super-martyrio-dos-servos-de-deus-rodolfo-lunkenbein-e-simao-bororo
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Curiosidades